Lá vamos nós de novo com o mito dos hermafroditas de Platão... Os seres humanos seriam hermafroditas no início: duas metades, homem e mulher, unidos pelo abdômen. Zeus um dia fulminou essa dualidade com um raio, e nossos umbigos seriam a cicatriz da dolorosa separação... e desde então, vagamos pelo étere, pelo vazio, pelo mundo, em busca de... bem, você sabe. DA OUTRA METADE.
Honestamente penso que o ser humano seja mais do que meia-laranja (embora haja muita gente com cérebro de abóbora por aí). Temos diversas facetas pelas quais nos dividimos ao longo da vida: somos pai, mães, homens, mulheres. Somos irmãoe e irmãs. Profissionais. Estudantes. Tios. Amigos. Temos habilidades. Temos também nossos hobbies. Vamos ao cinema. Sorrimos. Choramos. Cantamos. Dançamos. Tomamos sorvete com os sobrinhos. Brigamos com o melhor amigo e no dia seguinte nos esquecemos e telefonamos para ele...
A felicidade efetivamente encontra-se encapsulada nos pequenos (grandes ) momentos, e sobre isso a questão é mesmo fechada. Como, então, depositar a RESPONSABILIDADE DE NOSSA PRÓPRIA COMPLETUDE nos ombros de outro?
Culpamos os outros com muito mais freqüência do que o desejado de nossas vicissitudes, de nossos erros. Dificilmente imputamo-lhes os nossos acertos!
O ser humano não necessita estar ao lado do outro por ser incompleto, e sim, por encontrar afinidades; porque tem afeto. Porque quer compartilhar muitos momentos. Porque quer construir junto com outro.
Aquele (a) que passa a vida em compasso de espera, de que alguém subitamente lhe ilumine os passos e o (a) faça feliz, está condenado à eterna insatisfação e ao desacerto: esse ser-metade-nossa-que-faltava, simplesmente... NÃO EXISTE!!!
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