No casamento, duas pessoas ligam-se voluntariamente pelas promessas de eterno amor, serena convivência, e mútua ajuda. A união pode ser formalizada legalmente, perante ritos religiosos, ou pode simplesmente representar a convivência sob o mesmo teto com essas intenções. Todas essas são formas de casamento, e implicam na divisão da responsabilidade pela manutenção do relacionamento. Casar significa dividir não só a rotina, os ritos domésticos, a cama, o copo das escovas de dentes ou ter companhia para tomar o café-da-manhã. Significa também que, no convívio diário, é posta à prova continuamente a distância entre as promessas de convívio pacífico e os gestos efetivos. Na prática, o casamento é um emaranhado de negociações. Infinitas negociações, em que as partes envolvidas cedem suas pretensões individuais para o chamado bem comum do casal.
A necessidade de um parceiro para estar de acordo com um perfeito modelo de família não é novidade na sociedade humana, e o modelo tradicional de casamento é um exemplo disso. Refiro-me ao casamento funcionante. Ao casamento idealizado por todos os pares quando se casam. O que realmente funciona, o que dá certo. Àquele mostrado nas reuniões de casais das igrejas. Àquele que, pelo menos em teoria, ratifica a prática de sexo, que justifica o convívio sob o mesmo teto. Àquele no qual você pode contar com um companheiro que atenda às suas exigências ao mesmo em que atende às dele, sem que isso represente um esforço ao qual não desejam sujeitar-se. No casamento plenamente funcionante existe a realização, pelo menos em parte, desse modelo idealizado de família. Eventualmente forma-se descendência, e os dois companheiros educam juntos os filhos em um ambiente de serenidade, compreensão e afeto mútuos. Envelhecem com dignidade um ao lado do outro enquanto olham para o futuro e ainda desejam viver juntos um bocado de anos a mais. Contudo, nem todas as uniões são assim, pois as relações humanas são muito mais complexas do que isso. Viver com outra pessoa exige senso de adaptação e de delimitação de espaços comuns.
O tipo de relacionamento que se busca nos dias atuais não é somente o da família idealizada, mas um preenchimento de necessidades afetivas e de afinidade, respeito, espaço, confiança, valores, comunicação, projetos, divisão de decisões, gastos e responsabilidades, concessões, satisfação sexual, fidelidade, paciência, hábitos, cumplicidade, interesses comuns, amizade e tudo o mais que possa ser exigido no convívio com outra pessoa.
Se falarmos em solteiros depois dos quarenta, hoje podemos subdividi-los em duas categrias bem claras: a das pessoas que nunca se casaram, e a daqueles que já se casaram e não querem entrar noutra dessas tão cedo...
As relações da solteirice modificam desde os hábitos de consumo, com porções menores para um público cada vez mais exigente, até a inclusão da relação com a empregada doméstica, que passa a ser uma OUTRA mulher na vida do solteiro, com direito a negar-se a lavar as calcinhas da namorada dele, a sentir-se mal se o patrão não lhe faz comentários pessoais, passando ao prosaico hábito de deixar alguma comidinha na geladeira - você pode não comer, mas a sua serviçal COME!
Sem dúvida, os tempos são de mudança e existem diversos arranjos para se ficar juntos do ponto de vista afetivo sem misturar roupa íntima na gaveta ou brigar pelo controle remoto, ou ter vergonha de deixar mau cheiro no banheiro... mportante é que o casal chege a um ACORDO sobre suas pretensões, sobre a presença ou não de filhos, e seja FELIZ!
(parte deste artigo foi extraída de meu livro Guia do Sucesso da Mulher Separada) |